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  • Sheila Moraes

Aniversariante do dia: Angela Davis



Na introdução à segunda edição de “Angela Davis – Uma autobiografia”, publicada em 1988, Angela Davis escreve que relutou em escrever uma autobiografia com apenas 28 anos, pois, rechaçava com veemência a noção desenvolvida no interior do movimento de libertação feminina que equiparava o pessoal ao político. Essa noção é equivocada, uma vez que não se trata de afirmar que assuntos da seara privada são também assuntos políticos, mas se trata antes de compreender exatamente o contrário: é em razão de uma organização social política autoritária, misógina e racista que as relações pessoais são determinadas.


O modo como a jovem Angela Davis enxergava e entendia a sociedade capitalista - fundada por três processos fundamentais: classe, gênero e raça - constituiu o alicerce de sua militância.


No seio da organização do movimento negro que ganhava corpo nos EUA a partir da década de 1960, Angela confrontava seus companheiros a enxergarem que a luta antirracista não poderia prescindir da luta antipatriarcal e nem da luta anticapitalista. No que diz respeito à presença das mulheres no movimento, parcela dos homens se opunham às mulheres negras “apoiando-se fortemente nas tendências supremacistas masculinas.” No que diz respeito à necessidade de compreender a organização da sociedade capitalista do ponto de vista de uma formação política comunista, tais ideias também eram rechaçadas pelo movimento, uma vez que “a população negra temia o comunismo e se afastaria da organização se pensasse que comunistas estavam por perto.” Problemas da organização política que só podem ser bem compreendidos no contexto de uma sociedade autoritária não apenas racista, mas também patriarcal e capitalista.


No seio do movimento feminista, Angela Davis através de seus escritos, aulas e palestras demonstrou as insuficiências, fragilidades e incongruências do feminismo branco liberal ao desconsiderar o racismo como processo fundante das sociedades autoritárias com passado escravista, bem como pela exclusão da crítica à organização social capitalista e seus mecanismos de captura de pautas em seu benefício.



Texto: Viviana Ribeiro, professora e co-fundadora do IPIA

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