Buscar

Aniversariante do dia Virginia Woolf, a escritora de novas sensibilidades


Ilustração por Cindy Song, 2013.



O livro ”O Leitor Comum” (The Common Reade), de 1925 e 1932 (ampliado), reúne uma série de ensaios publicados por Virginia Woolf em revistas e jornais nos quais a escritora analisa o ofício literário, a linguagem e o foco da ficção, e especialmente, o leitor comum.


Virginia afirma que os livros de literatura, como obra de arte, existem e persistem em si, têm uma vida independente daqueles que os produziram. Contudo, os leitores precisam saber: os livros expressam uma perspectiva, uma visão de mundo. Nos mostram como os escritores ordenam o seu mundo e quais os ornamentos desse mundo. Através dos olhos dos romancistas olhamos um mundo. Nesse sentido, as grandes obras-primas são aquelas que confrontam e impõem uma perspectiva que não é a do leitor, afinal, diz Virginia: “que prazer ou divertimento pode ser extraído de uma fagulha de uma ideia nova?”


A partir dessa concepção literária, Virginia produziu tudo que escreveu. Pensou e escreveu da perspectiva das que estão de fora da produção literária, do espaço público, da criação do discurso e da modulação das sensibilidades e percepções sociais dominantes.


Se uma das marcas da sociedade patriarcal é a ausência das mulheres da e na História, se esta é uma sociedade que sabemos muito pouco ou quase nada sobre como as mulheres viviam, percebiam, sentiam e pensavam, Virginia se opôs a ela atuando como uma memorista da vida das mulheres, trazendo para o mundo esses modos recalcados de sentir, perceber e pensar. É por isso que o fluxo de consciência é a base da sua criação narrativa, para mostrar o que e como as mulheres sentem, percebem e pensam o mundo e as relações, trazendo para o mundo não apenas novas sensibilidades, mas sensibilidades contra-hegemônicas e contra- autoritárias.


Virginia não era apenas uma escritora de vanguarda. Foi uma feminista convicta. Ao contrário de outras artistas e escritoras, antes e depois dela, nunca demonstrou nenhuma relutância ao se colocar do lado das mulheres. Esse firme posicionamento singularizou uma forma estética e política nos seus escritos. Se “é sentindo que aprendemos”, como pensava Virginia, a sua literatura nos apresenta e ensina um novo mundo a partir de novas perspectivas, sensibilidades e percepções e este é o seu caráter necessariamente político.



Texto: Viviana Ribeiro, professora e co-fundadora do IPIA.

56 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo