Buscar

O problema político do fracasso da imaginação

Viviana Ribeiro


Há um desenho oculto, um desenho que compreende todos nós, seres humanos. O mundo inteiro é uma obra de arte. E nós somos parte dela. Hamlet ou um quarteto de Beethoven são a verdade desse vasto conjunto que chamamos mundo. Mas não há Shakespeare, não há Beethoven, não há Deus, nós somos as palavras, somos a música. Nós, a coisa em si.
Virginia Woolf, diários

Em 1938, Virgínia Woolf publicava o ensaio político (ou panfleto político, como a própria escritora o chamava) Três Guinéus, uma fictícia troca de correspondências realizada entre Virginia e três interlocutores distintos: um eminente homem instruído, herdeiro da educação e dos bens culturais ingleses, restritos e transmitidos secularmente pelas famílias abastardas aos seus filhos homens, homem que possuía sigla distintiva adicionada ao final do nome — K.C. — indicava ser ele “consultor do Rei” (King’s Counsel); a tesoureira honorária de uma faculdade feminina e uma sociedade destinada a desenvolver atividades antibélicas. Cada um desses remetentes solicitava o auxílio financeiro da destinatária para empenharem-se na tarefa de pensar em como contribuir para evitar a guerra, em seus respectivos ramos de atividades.


Ao longo da década de 1930 até a sua morte, Virginia Woolf, assim como muitos de seus contemporâneos, estava afetada pelo período entre guerras[1], seus últimos e principais ensaios e romances – Os anos (1936), Três guinéus (1938), Roger Fry – uma vida (1940), Entre os atos (1941, post-mortem) – foram escritos sob a ascensão de Hitler (1933); adoção por Mussolini do título oficial de “Chefe de governo, Duce do Fascismo e fundador do império” (1936); Guerra Civil Espanhola (1936) - na qual morreu seu sobrinho Julian Bell[2]; invasão da China pelo Japão (1937); a submissão do covarde Kurt von Schuschnigg, chanceler da Áustria, na entrega do país à Hitler (1938)[3]; e o efetivo início da Segunda Guerra Mundial dado a impossibilidade de uma saída não bélica ao conflito e à pretensão expansionista nazifascista.


Estes últimos textos de Virginia Woolf, escritos enquanto diversos países da Europa sucumbiam aos ditadores em pé de guerra e “as pessoas de boa vontade assistiam aterrorizadas” (FUSINI, 2010, p. 264), expressam os grandes temas sociais e políticos da época que de forma muito original, estão articulados com a visão acurada de Virginia sobre a condição da mulher na sociedade patriarcal, pois denunciavam o entrelaçamento entre o fascismo, a misoginia e a guerra. Porém, um aspecto muito singular do pensamento político da escritora chama atenção que diz respeito ao problema da constituição do nós. Sob os sons das bombas, Virginia despendia suas energias pensando sobre a necessidade de refundarmos o nós. Um nós não bélico, não patriarcal, não tirânico, não escravizador.


Como escritora, Virginia sabia, como costumam saber primeiro e imediatamente os artistas, que, talvez, uma das principais questões da política e da democracia é a capacidade de imaginar, sentir e perceber e assim poder inventar e reinventar, sempre que necessário, um nós. “Se a sensibilidade é ofendida e prejudicada de modo irreparável pela irrealidade da força, que relação poderemos ter com o outro?” (FUSINI, 2010, p. 323), escrevia Virginia em seu diário em 1936. Em dois textos importantes, a escritora coloca com bastante clareza o problema da imaginação, da sensibilidade e da percepção como pressuposto para fundação de um nós.


Em 1913, o casal Woolf participou como ouvinte do congresso anual da Women’s Cooperative Guild, a convite da amiga Margaret Llewelyn, secretária-geral de uma cooperativa de guilda constituída apenas por mulheres na produção e na administração financeira. Anos mais tarde, Margaret Llewelyn reuniu as memórias e cartas escritas pelas mulheres operárias no livro Life as we have known it, publicado pela editora de Virginia e Leonard. A propósito do livro, Virginia escreveu o ensaio Memórias de uma guilda de mulheres operárias (1930), no qual aborda a questão da atuação das mulheres da classe operária no processo de transformação social e a relação entre as mulheres da classe operária e as mulheres de sua própria classe, nomeada por Virginia de classe das filhas dos homens instruídos[4] e coloca o problema nos seguintes termos: não havia dúvida entre os ouvintes que vieram de Londres para o congresso de 1913 sobre a força e a legitimidade das reivindicações das mulheres operárias. As palavras de ordem eram por: taxação das propriedades agrárias, lei do divórcio, salário mínimo, assistência à maternidade, educação dos filhos maiores de 14 anos, voto universal. No entanto, narrou Virginia, havia entre a plateia grande desconforto e inquietação pois aqueles que estavam ali ouvindo eram apartados das mulheres operárias por classe, eram insensíveis àqueles problemas que não eram os seus:

Todas essas questões […] que importam tão imensamente às pessoas aqui, questões de saneamento e educação e salários, a reivindicação por um xelim a mais, por um ano a mais de escolarização, por oito horas, em vez de novo, atrás de um balcão ou numa fábrica, me deixam, como ser de carne e osso, insensível, se todas as reformas que elas reivindicavam fossem concedidas neste mesmo instante, isso não afetaria um único fio de cabelo da minha confortável cabeça capitalista. Portanto, meu interesse é meramente altruísta. É esparso e empalidecido. Não há nenhum sangue vital ou urgência nele. Por mais forte que eu bata palmas ou bata os pés no chão, há no som uma falsidade que me trai. Sou uma espectadora benevolente. Estou irremediavelmente apartada das protagonistas. Sento-me aqui hipocritamente batendo palmas e batendo os pés no chão, uma proscrita do grupo (WOOLF, 2019b, p. 49-50, grifo meu).

Então o problema está posto: não existe um nós entre os ouvintes e as mulheres operárias, o alinhamento dos ouvintes à causa da classe trabalhadora, era hipócrita e empalidecido, pois aquelas demandas não eram a deles que naquela altura das circunstâncias já haviam alcançado o dinheiro e o banho. Se os ouvintes não partilhavam com as mulheres operárias suas demandas de caráter vital, que comum seria possível constituir entre eles? A saída apontada por Virginia começa pela imaginação e pela percepção:


Suponha que tentássemos um jogo infantil; suponha que disséssemos: “Vamos fazer de conta”, dizíamos para nós mesmos, olhando para a oradora, “que sou a sra. Giles, de Durham City”. Ergo-me na pessoa da sra. Giles, de Durham; na pessoa da sra. Phillips, de Bacup; na pessoa da sra. Edwards, de Wolverton. Mas, afinal, a imaginação é em grande medida filha da carne. Não podemos ser a sra. Giles, de Durham, porque nosso corpo nunca se debruçou sobre uma tina de lavar roupa; nossas mãos nunca torceram roupas e esfregaram o chão e nunca picaram seja lá qual for o tipo de carne que faz parte da ceia de um mineiro.
[...]
Para começo de conversa, toda fala delas, dissemos nós, ou a maior parte da fala delas, era sobre questões reais. Elas queriam banho e dinheiro. Esperar que nós, cujas mentes, sob as atuais circunstâncias, pairam livres no ponto extremo de uma limitada extensão de capital, nos restrinjamos novamente a essa exígua gleba de consumo e desejo é algo impossível. Nós temos banho e temos dinheiro. Portanto, por maior que seja a nossa empatia, ela é em grande medida, fictícia. É uma empatia estética, a empatia do olho e da imaginação, não do coração e dos nervos (WOOLF, 2019b, p. 51-54).

Importante esclarecer e frisar: esta empatia invocada por Virginia, nada tem a ver com o uso da palavra no discurso do senso comum atual. Não se trata de tolerância, se trata do sensível, é a invocação da capacidade de ser afetado pelo outro, portanto, diz respeito a ideia de que a fundação de um comum, de um nós, se inicia a partir de uma imaginação ativa e criativa e de uma sensibilidade não embrutecida, culminando o processo na ação coletiva, na organização pela criação e duração dos direitos. No final do texto, o nós se consolida com ambas as classes juntas atuando na esfera cívica e reivindicando por direitos:

As mulheres que tinham aparecido modestamente, em 1883, na sala de estar da sra. Acland para costurar e “ler algum trabalho da cooperativa em voz alta”, aprenderam a se manifestar, enérgica e assertivamente, sobre qualquer questão da vida cívica. Resultou, assim, que a sra. Robson e a sra. Potter e a sra. Wright estavam reivindicando, em Newcastle, em 1913, não apenas banhos e salário e luz elétrica, mas também o sufrágio universal e a taxação dos bens fundiários e a reforma da lei do divórcio. Assim, em um ou dois anos, elas iriam reivindicar paz e desarmamento e a expansão dos princípios cooperativos, não apenas entre os operários da Grã-Bretanha, mas também entre as nações do mundo (WOOLF, 2019b, p. 61-62).

A questão do nós reaparece em Três guinéus, a troca de correspondência entre Virginia e o proeminente advogado se inicia a partir da pergunta: “Cara Virginia, o que nós podemos fazer para evitar a guerra?”. Lisonjeada pois, afinal, quando na história da humanidade, um homem perguntou a uma mulher “o que nós podemos fazer para evitar a guerra?”, Virginia pondera: considerando que os homens da classe burguesa tiveram acesso amplo à educação e às mulheres tal acesso foi interditado desde o começo dos tempos, o primeiro problema se interpunha entre eles, pois ele – pertencente à classe dos homens instruídos – e ela – pertencente à classe das irmãs dos homens instruídos – imaginavam, sentiam e percebiam o mundo de maneira absolutamente diferente um do outro, pois a educação transforma a paisagem[5], afirmava Virginia, e sendo assim, como poderiam fundar este nós para juntos pensarem o que poderiam fazer para evitar a guerra? Se trata de um nós de difícil criação, diante dessas circunstâncias, porém, não impossível. Então, novamente a questão da imaginação, sensibilidade e percepção aparecem. Virginia escreve a seu interlocutor: apesar de todas as nossas diferenças, veja essas fotografias. Fotografias não são argumentos, mas podem nos auxiliar, pois fotografias “são apenas asserções dirigidas aos olhos. Mas o olho está conectado com o cérebro, o cérebro com o sistema nervoso. Esse sistema envia suas mensagens como um raio, atravessando cada uma das lembranças do passado e cada uma das sensações do presente” (WOOLF, 2019a, p. 17). Ao olhar as mesmas fotografias de guerra, podemos compartilhar as mesmas sensações “asco e horror!”, compartilhar o desejo e o grito de não à guerra, podemos nos organizar politicamente:


Fotografias não são, obviamente, argumentos dirigidos à razão; elas são simplesmente asserções factuais dirigidas aos olhos. Mas justamente por sua simplicidade elas podem ser de alguma ajuda. Vejamos, pois, se quando olhamos para as mesmas fotografias sentimos as mesmas coisas. Aqui, na mesa à nossa frente, há algumas fotografias. O governo espanhol as envia com paciente pertinácia mais ou menos duas vezes por semana[6]. Não são fotografias agradáveis de olhar. São fotografias de cadáveres, na maior parte. A coleção desta manhã contém uma que pode ser o corpo de um homem ou de uma mulher; está tão mutilado que poderia ser, por outro lado, o corpo de um porco. Mas essas são certamente crianças mortas, e aquilo é, sem dúvida, parte de uma casa. Uma bomba pôs a parede abaixo; ainda se vê uma gaiola de passarinho balançando onde ficava, supostamente, a sala de visitas, mas o resto da casa mais parece um punhado de varetas suspensas no ar.

Essas fotos não constituem argumentos; são apenas asserções dirigidas aos olhos. Mas o olho está conectado com o cérebro, o cérebro com o sistema nervoso. Esse sistema envia suas mensagens como um raio, atravessando cada uma das lembranças do passado e cada uma das sensações do presente.


Quando olhamos essas fotografias alguma fusão se dá dentro de nós; por mais diferentes que possam ser a educação e as tradições que nos embasam, nossas sensações, entretanto são as mesmas; e elas são violentas. O senhor as chama de “horror e asco”. Nós também as chamamos de horror e asco. E as mesmas palavras nos vem aos lábios. A guerra, diz o senhor, é uma abominação, um barbarismo; a guerra deve ser interrompida a qualquer preço. E nós ecoamos suas palavras. A guerra é uma abominação, um barbarismo; a guerra deve ser interrompida. (WOOLF, 2019, p. 16 e 17)

Susan Sontag, em Diante da dor dos outros (2002), ao comentar Três guinéus, nota que o que Virginia expressa durante todo o ensaio é que o nosso fracasso é o da imaginação. E, podemos acrescentar: nosso fracasso político começa pela imaginação. “Todo mundo comendo todo dia, não é uma alegria?”[7], não começa por imaginar?

Viviana Ribeiro é mestra em Filosofia (UFF) e doutoranda em direito (PUC-RIO). Realiza estudos na área de filosofia política, com ênfase na luta e no pensamento de mulheres. Ao lado disso, desenvolve pesquisas em literatura, política e memória.

REFERÊNCIAS:

FUSINI, Nadia. Sou dona da minha alma. O segredo de Virginia Woolf. Tradução de Karina Jannini. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro. A formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Editora Global, 2014.

TADEU, Tomaz. Notas. In: WOOLF, Virginia. Três guinéus. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

VUILLARD, Eric. A ordem do dia. Tradução de Sandra M. Stroparo. Planeta, 2019.

WOOLF, Virginia. Os diários de Virginia Woolf. Edição de Anne Olivier Bell. Introdução de Quentin Bell. Seleção. Tradução de José Antonio Arantes. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

______. Three guineas. Reino Unido: Hogarth Press, 1938.

______. Três guinéus. Organização, tradução e notas de Tomaz Tadeu. Posfácio de Naomi Black. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2019a.

______. Carta introdutória a Margaret Llewelyn Davies. In: As mulheres devem chorar ou se unir contra a guerra: patriarcado e militarismo. Tradução, organização e notas de Tomaz Tadeu. Posfácio de Guacira Lopes Louro. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019b.

[1] Em 30/01/1933, testemunhou a designação de Hitler como chanceler, sem causar qualquer alarde no exterior; a instalação do Terceiro Reich, com o incêndio do Reichstag pelos nazistas, em 27/02/1933 – pretexto para acabar com o parlamento; consolidação do poder de Hitler através das eleições gerais, em 04/03/1933; ato institucional de 23/03/1933 que o autorizou governar por decreto. Em suma, em menos de dois meses a República de Weimar estava esfacelada e a Alemanha sob a égide de um ditador absoluto. Em abril de 1933, Virginia recebeu a notícia de que o maestro Bruno Walter, regente da Gewandhaus Orchester de Leipzig, estava impedido de trabalhar na Alemanha, por ser judeu. Em maio de 1935, Virginia e Leonard Woolf foram à Alemanha, ver de perto o que acontecia: “[…] Ao voltar para casa, àquela altura Virginia teve apenas um desejo: desmascarar o entrelaçamento social de misoginia, antissemitismo e fascismo” (FUSINI, 2010, p. 287). [2] Julian alistou-se na Cruz Vermelha Britânica e 1 mês e 11 dias após ser enviado para Espanha, a ambulância que dirigia foi atingida por uma granada, em 18 de julho de 1936, aos 29 anos (FUSINI, 2010, p. 295). [3] Ver: VUILLARD, É. 2019. A ordem do dia. São Paulo: Planeta. [4] Nota de Virginia Woolf em Três guinéus: “Nossa ideologia é ainda tão inveteradamente antropocêntrica que se tornou necessário criar esse termo canhestro – a filha do homem instruído – para descrever a classe cujos pais foram educados nos internatos privados e nas universidades. Obviamente, se o termo “burguês” se aplica ao irmão dela, é totalmente incorreto utilizá-lo para se referir a alguém que difere tão profundamente dele no que diz respeito a duas características primordiais da burguesia – capital e ambiente.” (WOOLF, 2019a, p. 156) [5] “Nós dois viemos do grupo que, nesta época híbrida, na qual, embora a descendência seja mista, as classes ainda permanecem fixas, é conveniente chamar de classe instruída. Quando nos encontramos pessoalmente, falamos com o mesmo sotaque; usamos os talheres da mesma maneira; esperamos que as criadas preparem o jantar e lavem a louça depois; e durante o jantar podemos conversar sem muita dificuldade sobre a política e as pessoas; a guerra e a paz; o barbarismo e a civilização – questões todas, na verdade, sugeridas por sua carta. Além disso, ganhamos ambos a vida com o nosso trabalho. Mas… esses três pontos assinalam um precipício, um abismo tão profundamente cavado entre nós que por mais de três anos tenho estado aqui sentada, do meu lado, me perguntando se vale a pena tentar falar com o outro lado. Peçamos, pois, a uma outra pessoa – trata-se de Mary Kingsley – que fale por nós. ‘Não sei se alguma vez lhe revelei o fato de que poder estudar a língua alemã foi toda a educação paga que jamais tive. Duas mil libras foram gastas na de meu irmão, espero que não inutilmente’. Mary Kingsley não fala apenas por ela; fala também por muitas das filhas dos homens instruídos. E não se limita a falar por elas; ela também aponta um fato muito importante sobre elas, um fato que deve influenciar profundamente tudo o que segue: o fato do Fundo Educacional Arthur. […] Tratava-se de um receptáculo voraz, um fato sólido – o Fundo Educacional Arthur – um fato tão sólido, na verdade, que ensombrecia toda paisagem. E o resultado é que, embora olhemos para as mesmas coisas, nós as vemos de forma diferente. O que é aquele conjunto de edifícios ali, com uma aparência semimonástica, com capelas e residências universitárias e verdejantes campos esportivos? Para o senhor é sua antiga escola; Eton ou Harrow; sua antiga universidade, Oxford ou Cambridge; fontes de lembranças e de tradições inumeráveis. Mas para nós, que o vemos através da sombra do Fundo Educacional Arthur é uma carteira escolar; um ônibus para ir à aula; uma mulherzinha de nariz vermelho que não é, ela própria, muito instruída, mas que tem uma mãe inválida para sustentar, uma quantia de 50 libras por ano com a qual deve comprar roupas, dar presentes e pagar pelo transporte ao se aproximar da maturidade. É esse o efeito do Fundo Educacional Arthur tem tido sobre nós. Ele transforma a paisagem tão magicamente que, para as filhas dos homens instruídos, os nobres pátios e quadrângulos de Oxford e Cambridge com frequência revelam-se como anáguas cheias de buracos, pernas de cordeiro frias, e como o trem que leva ao cais, rumo ao exterior, enquanto o guarda lhes fecha a porta na cara” (WOOLF, 2019, p. 10 e 11). [6] Conforme nota do tradutor Tomaz Tadeu, na edição brasileira de Três guinéus, de 2019: “Trata-se, obviamente, do governo republicano. Virginia já estava envolvida na escrita de Três Guinéus quando a Guerra Civil Espanhola começou, em 17 de julho de 1936. Em carta ao sobrinho Julian Bell, ela informa: “Recebi esta manhã um pacote de fotografias da Espanha, todas de crianças mortas, atingidas por bombas” (TADEU, Tomaz, 2019, p. 205).


[7] Frase de Darcy Ribeiro (2014). Imagem: WIN Initiative / Getty Images


#feminismo #VirginiaWoolf #política #filosofia #literatura


103 visualizações

O uso não autorizado do conteúdo e imagem pertencentes ao IPIA configura violação de propriedade intelectual sujeita a penalidade.