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Patriarcalismo e civilização - as máscaras dos valores ocidentais

Atualizado: Mar 27




:: Patriarcalismo e civilização - as máscaras dos valores ocidentais ::


Progresso. Homem. Razão. Ao longo da história do Ocidente, esses termos parecem ter andado juntos. Entre virtudes e vicissitudes, nosso projeto civilizacional está amparado no desenvolvimento técnico, no esclarecimento, no investimento do homem como senhor da natureza para constrangê-la, dominá-la, subjugá-la. E esse projeto segue, há séculos, desimpedido: não há um recanto do planeta onde não se sinta a presença do Estado nacional moderno, da tecnologia de controle e comunicação, da imposição de metas humanas sobre o mundo natural. “Mas a terra totalmente esclarecida”, produzida pelo homem dotado de razão e de técnica para utilizá-la, “resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal”. O que deu errado nesse projeto?


A sociedade dos homens criou e consolidou a dominação sobre a natureza e declarou-a corpo a ser dominado, exaurindo os recursos naturais através da garganta aberta do capitalismo. Essa mesma sociedade subjugou os corpos e mentes das mulheres, constrangendo-as à inimizade, à reclusão à vida privada e ao âmbito doméstico. Essa civilização esclarecida, com todas as suas instituições democráticas, gera, todo século, uma grande guerra – ou então normaliza conflitos bélicos de baixa intensidade como forma de política internacional e gestão urbana. Em intervalos menores de tempo, espraiam-se as perseguições e chacinas rotineiras, estruturadas em violência social, racial, cultural e de gênero. Essa mesma civilização produziu determinada filosofia, pensamento e organização política. Técnica, tecnologia, arte, música. É também para essa cultura que erguemos os olhos procurando inspiração para pensar e criticar esse mundo. Como os nossos heróis são frutos e agentes da mesma cultura que os nossos algozes? Como são, frequentemente, as mesmas pessoas?


Passando pelas narrativas sagradas e pelos mitos fundadores da nossa civilização – os antigos, como Teseu, e os modernos, como Francis Bacon – até chegar na crítica e pensamento de autores e pensadores como Virginia Woolf e Walter Benjamin, entenderemos como os elementos patriarcais que constituem o progresso cultural e civilizatório também possibilitam que a brutalidade nazi-fascista se instaure. Uma lógica da dominação, escravização e autoritarismo que não diz respeito apenas à configuração da relação privada entre os sexos – homem e mulher – mas uma lógica que organiza o espaço público, o Estado, a relação com a terra, a relação entre as nações e entre os povos.



:: E M E N T A ::


Aula 1

Virginia Woolf e Três Guinéus: estrutura social patriarcal e “cultura da guerra”;

– O discurso patriarcal sobre a “construção moral” do homem civilizado na Dialética do Esclarecimento;

Caráter patriarcal e capitalista do cânone do pensamento moderno.


Aula 2

Três Guinéus: patriarcalismo doméstico, ethos autoritário e “desejo da guerra”;

– Imaginário da guerra no discurso de militarização da segurança pública;

– Imaginário da guerra e o discurso sobre os heróis na contemporaneidade e na antiguidade.


Aula 3

– Heroísmo, patriarcalismo e as origens autoritárias da democracia clássica grega;

– Democracia ocidental, valores racionais e persistência civilizacional do mito;

– Mito e política na contemporaneidade e na Grécia antiga.


Aula 4

– O pensamento patriarcalista na origem da democracia moderna;

– O povo e o feminino como o avesso da autoridade estatal moderna;

– Centralização política e violência na modernização social.


Aula 5

– Origens ideológicas da modernidade: ciência como dominação, segundo Francis Bacon;

– Marxismo e modernidade;

– Ciência e natureza.


Aula 6

– Produção de saberes na modernidade: patriarcalismo e universidade;

– O núcleo irracional da institucionalidade moderna;

– Os ritos e as cerimônias da racionalidade.


Aula 7

– Mulheres na universidade;

– Barbara Cassin, o pensamento dos excluídos, e o distúrbio do discurso universal;

– O problema da alteridade na ideia moderna de progresso.


Aula 8

– Colonialismo, patriarcalismo e modernidade: a Utopia de Thomas More;

– Colonização e administração econômica da vida: biopolítica, necropolítica;

– A caça às bruxas como controle estatal sobre o corpo feminino.



:: O N D E ::


Plataforma online. Aulas gravadas.



:: I N V E S T I M E N T O ::


GRATUITO.






:: P R O F E S S O R E S ::


JULIA MYARA é professora e cofundadora do IPIA – Comunidade de Pensamento. Doutoranda em História da Filosofia Antiga na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestra em Filosofia Antiga na PUC-RIO, graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e professora da Pós-graduação Lato sensu em Filosofia Antiga (CCE, PUC-RIO). Atualmente realiza estudos na área de filosofia antiga e do pensamento de Platão, narrativas de pós-morte e catábases e mitologia com ênfase nas figuras femininas nas narrativas sagradas sumérias, gregas e bíblicas. Desenvolve pesquisa nas áreas de estudo de gênero na antiguidade, religiões, narrativas míticas comparadas e retórica.


PEDRO ROCHA DE OLIVEIRA é psicanalista e professor do departamento de filosofia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Pós-doutor em filosofia pela USP, doutor em filosofia pela PUC-Rio, e membro não-titular da Formação Freudiana. Realiza pesquisas sobre as implicações sociológicas da teoria psicanalítica e as origens e limites da socialização capitalista.


VIVIANA RIBEIRO é professora e cofundadora do IPIA - Comunidade de Pensamento. Doutoranda pelo Programa de Pós Graduação em Direito da PUC-RIO. Mestra em Filosofia pelo Programa de Pós Graduação em Filosofia da Universidade Federal Fluminense (PFI/UFF). Possui graduação em Direito pelo IBMEC. Pesquisadora egressa do Grupo de Estudos Comparados de Literatura e Cultura (GECOMLIC/UFRJ), coordenado pelos prof Dr. Eduardo Coutinho e prof.ª Dra. Monica Amim. Integrante do Grupo de Trabalho Deleuze da Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (GT- Deleuze/Anpof). Integrante do Ciclo de Leitura Espinosa, PUC-Rio.

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